Corrupção marca todos os anos do governo comunista no MA.

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 MARCO AURÉLIO D''EÇA - EDITOR DE POLÍTICA 

Desde que assumiu o mandato Flávio Dino experimentou denúncias de malfeitos e ações da Polícia Federal em diferentes setores de sua gestão em 2015, 2016 e 2017

Eleito em 2014 sob o signo da mudança, o governador Flávio Dino (PCdoB) chega ao fim do terceiro ano do mandato com denúncias de corrupção marcando todos os anos do seu mandato. Desde 2015, quando assumiu, o comunista se vê às voltas com denúncias de corrupção envolvendo gente próxima a si. E enfrentou pelo menos quatro ações da Polícia Federal em sua gestão, fato desonroso para quem se elegeu apresentando-se como o mais honestos dos políticos.

A operação “Pegadores”, deflagrada na última quinta-feira, 16, abateu, ainda que indiretamente, gente do núcleo mais próximo do Palácio dos Leões. São membros do PCdoB e homens de confiança tanto administrativa quanto política, o que mostra que a corrupção – ou a leniência com malfeitos – está nos escritórios mais íntimos do Palácio dos Leões.

Simone Limeira saiu do governo por corrupção, mas foi candidata pelo PCdoB (Foto: Arquivo)

A corrupção no governo comunista começou cedo, já nos primeiros meses de gestão, quando uma das adjuntas da Secretaria de Educação, Simone Limeira, foi acusada de cobrar propina de índios na região de Grajaú para liberar licenças de transporte nas aldeias. Limeira foi afastada, com nota explicativa de que ela seria investigada internamente. Mas, na campanha de 2016, foi a candidata do PCdoB nas eleições de Grajaú, com o apoio presencial do próprio governador.

Também em 2015, operações da Polícia Civil derrubaram outros dois auxiliares do governador. Primeiro apareceu o assessor regional da Secretaria de Articulação Política, José Wellington Leite, envolvido com o agiota Josival Cavalcanti, o Pacovan. Depois, o assessor especial da mesma pasta, Walter França Silva Júnior, também aparece envolvido com cheques de Pacovan.

Na época, o governo anunciou, em nota, a exoneração dos dois assessores. E mais uma vez anunciou investigação interna. Mas o relatório desta investigação nunca foi divulgado.

2015 continuou marcando a corrupção no governo comunista também no Detran. Homem de confiança e ex-sócio do governador, o advogado Antonio Nunes apareceu envolvido em um contrato de R$ 25 milhões com uma empresa criada em plena campanha de 2014. Mesmo denunciado, o sócio comunista de Dino continuou no órgão, sem que nada acontecesse.

Curado está presa na PF, mas atuou no governo Dino desde 2015

Em 2016 foi a vez de Rosângela Curado. Então secretária-adjunta de Saúde, a pedetista deixou o governo em uma obscura decisão que gerou forte especulação. Dizia-se à época que Curado foi flagrada em operação idêntica a que resultou em sua prisão na última quinta-feira, o que comprova um fato já afirmado pela Polícia Federal: o esquema de funcionários fantasmas desbarato agora, já se arrastava desde o início do governo.

Cumprimentado por Flávio Dino, Danilo dos Santos comando corrupção na Seap (Foto: Arquivo)

Em 2017, o ano da corrupção comunista começa com denúncia contra um assessor da Secretaria de Administração Penitenciária, Danilo dos Santos, preso na Operação Turing, da Polícia Federal. Esse caso gerou, inclusive, a corrupção da corrupção, quando se levantou a suspeita de que Flávio Dino tivesse sido avisado da ação policial a tempo de demitir o auxiliar. O feito foi ainda pior, por que levou à suspeita de privilégios do governador.

Em nota, o governo explicou que já havia exonerado Danilo dos Santos dos quadros do governo. E negou ter recebido informações privilegiadas da PF.

Os três anos de mandato de Flávio Dino foram marcados também pelo escândalo dos alugueis camaradas, por desvio de recursos da previdência para usar em asfalto e por malfeitos na Secretaria de Segurança. Curiosamente, sempre nas pastas comandadas por comunistas.

Cronograma da corrupção comunista

2015

Simone Limeira, da Seduc: foi acusada de cobrar propina para liberar transporte escolar em aldeias indígenas; mesmo assim, foi a candidata de Flávio Dino em Grajaú.

José Wellington Leite: o assessor do secretário Márcio Jerry foi descoberto com um cheque do agiota Pacovan em seu poder. Mesmo assim, atuou nas campanhas comunistas em 2016;

2016

Antonio Nunes: chefe do Detran, o ex-sócio de Flávio Dino foi acusado de beneficiar com R$ 25 milhões uma empresa criada apenas para este contrato. Hoje chefia a Segov.

Rosângela Curado: às vésperas das eleições municipais, a então adjunta da Saúde deixa o cargo em circunstâncias obscuras. Mesmo assim, foi a candidata de Flávio Dino em Imperatriz

2017

Danilo dos Santos: adjunto na Secretaria de Administração Penitenciária chefiava esquema de desvio de recursos e foi pego pela Polícia Federal.

Rosângela Curado: afastada do governo, mas com atuação ainda forte na Saúde, ex-adjunta foi presa por participação em esquema de pagamento a funcionários fantasmas

Corruptos são afastados mais mantém vínculo com comunista

O discurso público do governador Flávio Dino de que combater a corrupção em seu governo não combina com suas atitudes políticas. Todos os envolvidos em corrupção no seu governo tiveram dele a mão amiga eleitoral no pleito de 2016.

Ele não apenas apoiou Simone limeira e Rosângela Curado, como fez questão de participar de suas campanhas municipais.

O apoio de Flávio Dino a Curado em Imperatriz gerou, inclusive, um comentário duro do então prefeito do município, Sebastião Madeira (PSDB).

Outros aliados também continuaram de boas com o governo comunista. É o caso dos ex-assessores de Márcio Jerry – Wellington Leite e Walter França – pegos com cheques do agiota Pacovan. Ambos foram ativos colaboradores das campanhas comunistas na região do Sertão.

O próprio Carlos Lula já havia sofrido denúncias de manter funcionária fantasma em sua pasta. Desde o primeiro semestre, deputados denunciam, em vão, que a SES paga quase R$ 10 mil para a ex-assistente do secretário Alana Valeria. Curiosamente foi Alana quem primeiro conversou com Lula sobre o esquema de funcionários fantasmas na SES, ainda em 2015.

Denúncias atingem também governador

Comunista chefe do Executivo maranhense já foi citado como recebedor de propina da Odebrecht e da JBS; em ambos, foi poupado por obra de Rodrigo Janot

Se é foco de corrupção em várias pastas, o governo comunista tem no próprio Flávio Dino um foco constante de denúncias. Desde que assumiu a pasta, sob suspeita de promover midiaticamente ações criminosas no Maranhão para se beneficiar eleitoralmente, o governador tem sido alvo de acusações de corrupção em âmbito nacional.

Ele apareceu em várias situações nas investigações da Operação Lava Jato, que desbaratou um esquema gigantesco de desvio de recursos públicos envolvendo, sobretudo, partidos de esquerda como o PT e o PCdoB.

Dino apareceu em gravações da Odebrecht como recebedor de propina de R$ 200 mil; também foi citado como beneficiário de recursos eleitorais da JBS, dos irmãos Wesley e Joesley Batista.

De todas as acusações, escapou de ser investigado durante mandato do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que tinha como principal assessor o irmão do governador do Maranhão.

A proteção a Dino levou o senador Roberto Rocha a questionar o executivo da JBS, Ricardo Saud, sobre o nome do 16º governador listado como recebedor de propina da empresa. Para Rocha, não há qualquer dúvida de que este governador seja Flávio Dino.

No caso envolvendo a Odebrecht – que, segundo executivos da empresa, pagou R$ 200 mil em propina para o comunista – Flávio Dino foi poupado por Janot no apagar das luzes do seu mandato na PGR. Antes de deixar o posto, o chefe do Ministério Público pediu ao STF que desconsiderasse as acusações contra Dino.

Mais

Homem forte do governo Flávio Dino, o supersecretário Márcio Jerry é também o foco da maior parte das denúncias de corrupção envolvendo o governo comunista. So suas asas estavam alguns dos autores de malfeitos famosos da gestão, como Simone Limeira, Danilo dos Santos e outros. Foi o supersalário de uma amiga de Márcio Jerry, nas Secretaria de Saúde, que despertou o interesse da Polícia Federal nas ações da pasta chefiada por Carlos Lula. E resultou em mais uma ação contra a corrupção do governo comunista, a quarta em três anos de mandato.

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